domingo, 21 de março de 2010

Conhecer Deus através de Vida Abundante

Em nossa Classe de Escola Dominical, estamos estudando dentro do tema central da Classe, de Conhecer ao Senhor, a Vida Abundante, tal como referida em João 10:10, como uma via neste conhecimento de Deus. Desejamos destacar que este não se reduz a um conhecimento conceitual, assim como aprendemos sobre uma determinada doutrina, mas antes é um conhecimento que se desenvolve ao longo de um relacionamento dinâmico como sói acontecer entre duas pessoas, ainda que uma destas seja Deus. Assim, “são muitas e variadas as situações em que estaremos mais mentalmente pensando sobre Deus, ou mais amando emocionalmente a Deus”, com toda uma gama de pensamentos e emoções que a convivência propicie. Um destaque a ser considerado é que deve existir uma diferença substancial entre esta vida abundante e uma vida comum, normalmente cheia de medo e tensões, gerando não raro depressões, e na maior parte do tempo corroída por uma rotina desgastante.
Um outro ponto a considerar, é que na realidade estamos respondendo à uma iniciativa de Deus - o propósito eterno de Deus ao nos criar - a saber, ter um parceiro para desfrutar de um relacionamento de família, unida por um vínculo de Amor. Então pode-se dizer que “tudo se resume no amor”. Vamos reaprender também que este amor não se reduz a uma emoção fugidia, e muito sujeita aos humores instáveis da personalidade humana, mas antes pode, e deve ser desenvolvido, numa atitude consciente, e deliberada.
Num currículo para aprender a amar a Deus, não poderia faltar o tema da Oração, e nossa ênfase é relembrar que orar é uma forma de dialogo entre duas pessoas, sendo uma delas Deus. À este dialogo, acrescenta-se a necessidade da comunhão, ponderando então a diferença entre uma verdadeira comunhão do Espírito Santo, e nosso pobre anseio por companhia, nas palavras de Dietrich Bonhoeffer. E esta última se objetiva em expressões de serviço cristão. Comunhão e Serviço Cristão, são assim as marcas autenticadoras de uma comunidade que se chama Igreja, ou “Corpo de Cristo”.
Em resumo vamos refletir juntos sobre: O propósito eterno de Deus ao nos criar; e a centralidade de Jesus Cristo. E a nossa resposta - que agrada a Deus - ao desenvolvermos amor a Deus, vivenciando todas as esferas da oração com a mente e com o coração, mantendo a comunhão do Espírito Santo, e, prestando o serviço devido de uns aos outros".

terça-feira, 2 de março de 2010

Conhecer Deus como uma Pessoa

Penso que muitas pessoas, mesmo sendo cristãos, entre os quais me incluo, estão acostumadas a ouvir falar de Deus como um Ser infinitamente perfeito, mas distante do nosso quotidiano, e só acessível em situações excepcionais, ou reduzido à esfera privada da religiosidade. Vivemos assim na esperança de que, quando morrermos, somente aí, então é que realmente vamos ter uma oportunidade, talvez tardia demais, para finalmente conhecermos pessoalmente a Deus e gozar desta santa comunhão.
Aqui também cabem exceções, no caso, dos santos – vide experiências como a de Madre Teresa de Ávila, de “União com Deus”, de Irmão Lawrence “Praticando a Presença de Deus”, leitmotiv que destaca a necessidade de ultrapassarmos o nível superficial do conhecimento sobre alguém, para um conhecimento pessoal mais próprio do relacionamento entre duas Pessoas - e de outros anônimos, mas cujas vidas apresentam frutos afins.

Este conhecimento pessoal tem como pré-requisito um tipo de relacionamento que foi magistralmente ilustrado pelo teólogo Martin Buber como do tipo “Eu-Tu”, para distingui-lo de um outro tipo de relacionamento que igualmente chamou do tipo “Eu-Isso”. “Eu/tu é um encontro de pessoas vivas se relacionando de modo a se conhecerem melhor, umas às outras: eu me deixo influenciar através do dialogo; ela se torna um tu. Minhas próprias mudanças dependem deste relacionamento. Para Buber também a relação com o Deus pessoal é indispensável para alguém que não entenda por Deus um princípio, uma idéia, um conceito. O Deus Pessoa é o Tu eterno que entra em relação imediata conosco e nos possibilita entrar em relação imediata com Ele; falar de Deus é permanecer no domínio do relacionamento Eu-Isso. O Deus-Isso é reduzido a um objeto comparável a outros, possível de requisição utilitária feita em nome de um sistema dogmático, de uma religião. O crucial não é falar de Deus, mas falar com Deus”.

A importância do relacionamento pessoal para alcançar este conhecimento de Deus foi destacada por Mark Baker em seu livro Jesus o maior Psicologo que já existiu: “Jesus repetidamente mostrou que o aspecto essencial da natureza humana é a nossa necessidade de ter um relacionamento amoroso com Deus e com os outros. Por isso uma pessoa se define pelo relacionamento que estabelece com outras pessoas. Tanto em relação à saúde psicológica quanto à salvação espiritual, a chave é deslocar a ênfase do conhecimento objetivo para a qualidade da relação. A parábola do bom samaritano fala de pessoas boas e más. Jesus explica a diferença entre os dois tipos em função do relacionamento que estabeleceram com o homem ferido. Também a idéia de Jesus de que “os primeiros serão os últimos” é o oposto do individualismo. Embora Ele reconhecesse o valor inerente de cada pessoa, as pessoas só eram consideradas boas como conseqüência do seu relacionamento com Deus e com os outros. Nossa natureza essencial, de acordo com Jesus, se manifesta na relação. Nossa necessidade básica é nos relacionarmos (com Deus) e uns com os outros a fim de sermos completos.”

Creio e busco por este, que é o grande relacionamento para o qual fomos criados, e que poderá transformar nosso dia a dia, de outra forma cheio de ansiedades e inquietudes, em vida abundante, com crescimento sustentado em graça e conhecimento de Deus.
P.S. ler também o comentário oportuno de Miguelza, com o qual concordamos plenamente